Resenha: Fora de Mim


Olá, leitores.


O que havia entre nós era apenas uma vontade, uma enorme e insaciável vontade de investigar o que haveria no lado oculto da lua, ver onde essa maluquice iria dar, aonde poderíamos chegar, quem aguentaria mais tempo, quem seria o primeiro a jogar a toalha e, feito duas crianças, prendemos a respiração e mergulhamos um no outro para, em tese, nunca mais emergir.

Lido em: Fevereiro de 2015
Título: Fora de mim
Autora: Martha Medeiros

Editora: Alfaguara/Objetiva

Gênero: Ficção brasileira
Ano: 2014
Páginas: 117

Martha Medeiros sabe como ninguém colocar no papel as angústias da mulher moderna, isso é fato! Mas ao ler Fora de mim cheguei à conclusão quase absurda que como mulher ela conhecer ser mulher como ninguém mais, só Deus.

Socorro!!! Ela invadiu a minha mente e a de tantas outras mulheres ao transpor para esta obra o que se passa no âmago daquelas que já deixaram de amar ou foram deixadas na beirada do caminho tortuoso que é a estrada do amor. Se não isso, ela também – como todo mortal – já sofreu os males de amar e crescer em meio ao desgosto.

Fora de mim, por que me sinto assim, é um monólogo que fala mais pelo não dito. A narradora conta àquele que a deixou de amar como se sentiu no momento do abandono, o caminho percorrido para viver o luto de um amor que era e não era para ser, de novos relacionamentos, os amigos inevitáveis, seus medos e reflexões para de novo cair nas garras do amor.








..., eu chorei no domingo, na segunda, na terça, em várias partes do dia e da noite, um choro de quem pede clemência, de quem está sendo confrontado com a morte, eu estava abandonando uma vida que não teria mais, eu sofria minha própria despedida, morte e parto, eu tinha que renascer e não queria, sinto que caí num vácuo (...) você alguma vez chorou por mim, você sofre a minha ausência, sente minha falta?
Outro fato é que homens e mulheres amam de forma diversa, e formas MUITO diversas entregam seu coração, seu corpo e sua alma quando amam apaixonada e perigosamente alguém.

Só quem ama e já desamou sabe as dores de cada fase, o medo de enfrentar o próximo passo e nunca mais amar ou ser amado. Você deve estar pensando que repito aqui os enredos dos folhetins. Ledo engano... Fora de mim me apareceu quando desamei e passei a amar a mim mesma. Fui abandonada... Desamei... Estou a dar os passos seguintes... E o meu maior medo, você quer saber? Não amar apaixonadamente outra vez, mas principalmente que ame alguém e não ao AMOR em si.

Todos corremos todos os riscos, vivemos às vezes a doença da onipotência. Mas, quem sabe, “com sorte, talvez eu consiga aceitar que no amor não existe moral da história, enfim.”

Leitura faz parte do Projeto #DesafioLiterário2015 - 
Categoria: livro de uma autora mulher




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