Hora do Leitor: O dia que levei um livro pra Balada






Tudo que você mais quer é ficar em casa lendo, mas alguém te chama pra sair... 

o que fazer?
Bem, João resolveu levar o livro pra balada! Isso mesmo. BA-LA-DA



Confira a Narrativa do mesmo, desse dia que pra mim (Luana) foi muito divertido saber dessa história



- Amor, como foi aquele dia que eu levei o livro pra boate?
- Estranho...
- Estranho, como?
- Estranho, ué. Quem vai pra boate e leva um livro?
- O seu marido...
- Só você mesmo!

(Um breve silêncio de dois minutos. Ela mexe de forma distraída no celular, provavelmente vendo itens de casamento. Ele sofre com um teclado de um notebook que sobrevive apesar dos tempos e das quedas)


Eles voltam ao assunto:

 - Eu comprei o ingresso da boate, porque queria que você fosse comigo. E você não queria ir.


Ele a interrompe:
 - Estávamos naquela época do relacionamento em que você fazia as coisas, que diziam respeito a nós dois e só me comunicava, não importando com a minha opinião, né?

Ela olha com aquele olhar, tipo “vai se ferrar” e concorda:

- É!

Ele ri, e começa a pensar em uma maneira interessante, não enfadonha para contar uma estória muitas vezes já contadas...



Minha Noite na Balada, pula uma linha, parágrafo.

        “Bem, antes de tudo, precisamos de um breve contexto. Apenas com um conhecimento histórico sobre o passado é que podemos fazer um paralelo com o presente e fazer projeções futuras. O que acabei de escrever não faz o menor sentido, assim como um cara que leva um livro e fones de ouvido para uma balada alternativa, na maior boate alternativa de Goiânia. (Sim! Não somos reféns do Sertanejo!)
        João Moreno Lima Neto, 22 anos, sempre gostou de ler. Em sua fase áurea de leitura, leu impressionantes 75 livros (Não mencionemos que ele abandonara faculdade e lia grande parte no serviço quando deveria, adivinhem, estar TRABALHANDO). Tudo ia bem, muito obrigado, até Crime e Castigo e Dostoiévisky entrarem em sua vida. Dois meses de muita labuta (e descoberta de palavras diferentes, Gólgota, por exemplo), uma depressão e então, vazio.
        É verdade, ainda lia. Asimov estava aí pra provar. Mas era raro. Muito raro. Mais raro que encontrar o Pikachu no Pokémon Go. A rotina: Nova Faculdade, Trabalho e Redes Sociais (AH! O que seríamos sem elas? Mais inteligentes, talvez) tirara-lhe o hábito.  Não lia, escrevia muito mal, não vivia.
        Aquilo começara a incomodar. Afinal, havia mais de quatrocentos (leia-se: muito dinheiro, o dinheiro de um carro) na sua estante sem uso. Mas aquele incomodo persistiria por alguns longos meses. Adiantemo-nos no tempo. Abril de 2015. Por algum motivo maior, na bendita das redes sociais, esse ser que escreve esse relato de forma prolixa vê uma publicação:

“Maratona Literária 24 horas. Objetivo: Por as leituras em dia em uma virada de sábado para domingo. Onde a única coisa à ser feita é ler. Ler e ler. O máximo possível”

        Pensei comigo: “Com 400 livros e alguns muitos ainda pra ler, creio que 24 horas serão mais que suficientes! SQN” Enfim...
        Decidi-me que esse seria o programa do NOSSO final de semana, da Bruna, a Bela, e o meu. Preparei os preparativos (?): Separei as Batatas Doces que comeria de três em três horas, o frango sem sal, e o mais importante, os livros. Mas se a vida te ensina uma coisa é que, quando se está em um relacionamento, o que você menos controla ou controlará é a SUA vida.

Sábado da Maratona Literária:

(Aqui acontecerá uma pequena alteração dos fatos para o bem estar da narração. Obrigado.)

Bruna, a Bela, chega em nossa casa. Não me cumprimenta. Ao invés disso, comunica-me:

    -        Hoje você vai na boate comigo.
-        Não, eu vou ficar lendo. A partir das 19 horas. Até às 19 horas de amanhã. Maratona Literária. Não te falei?
-        Falou, mas hoje é “Made in Brazil”. Já comprei seu ingresso.
-        Mas...
-        Você lê depois. Você tem uma vida toda pra ler.
Tento explicar pacientemente;
-        A Maratona Literária começa hoje. Apenas Hoje. Exclusivamente hoje.
Ela responde como se falando para uma pessoa com certo grau de retardo mental.
-        Amor, se você quer tanto ler, leva o livro.
-        Tá bom!
-       
Tá Bom!


        Porta da Boate. Armado de um livro e seu fone de ouvido. Com todas aquelas pessoas de vestuário tão alternativos e ao mesmo tempo tão iguais. O primeiro constrangimento (e viriam outros, e maiores) foi na hora da revista do segurança. Ele olha pro livro, olha pro mim, eu sacudo os ombros, ele sacode os ombros e me deixa passar.
        Como todos devem estar pensando, a maior dificuldade de se ler em uma boate seria o lugar abarrotado de pessoas pulando e gritando, com os refletores saltando sobre as páginas. Não. Não e não! O maior desafio de se ler em uma boate abarrotado de pessoas pulando e gritando, com os refletores saltando sobre as páginas são as pessoas. As malditas pessoas que não percebem que uma pessoa, com um fone de ouvido, no meio de uma boate não está à fim de conversar.

Página 14, oitavo parágrafo:

“Lá dentro, uma adolescente cuida da caixa enquanto lê a nova coleção...”

Alguém interrompe-me. Toca em meu ombro. Tira o livro da minha mão (WTF????) e pergunta?
 
-        Caralho! Você está lendo na boate!
-       
Caralho! Parabéns, SENHOR ÓBVIO!

E isso acontecerá mais vezes. E de diferentes maneiras. E com diferentes propósitos. Lembro-me de que Bruna, A Bela, estava linda. Maquiada, roupa provocamente. Tênis (não resisto quando ela usa tênis, suspiros). Mas toda a atenção ficara voltada exclusivamente para mim.
Em um determinado momento ela fora ao banheiro. Estava na porta. Esperando-a. Duas meninas aproximaram-se. O pretexto?

-        Que livro você está lendo?

Fica aqui a dica. Se queres conquistar alguém, leia na boate!

        No mais, tirando o fato de quase brigar com um cara que pegou no meu braço e ofendeu-me (Mas tomou um senhor empurrão) até que a balada estava legal. Meu jornalista preferido (que também é DJ, Funcionário Público, Mestre dos Magos e o caralho a quatro) estava tocando. Consegui tirar uma foto dele (dele, não com ele) e escrever um texto bacaninha no Instagram. Desde então ele me segue e curte algumas fotos aleatórias (menos as fotos fitness, segundo ele “sou chato pra caralho, só posto coisas de academia...)
João e alguns de seus livros
        No fim, li cerca de quarenta páginas. Li somente ele na Maratona Literária. Devo confessar que mais dormi do que li, de fato. A Vida do Livreiro A J. Fikry, da Gabrielle Zevin fora uma grata surpresa, que me custara R$ 3,90 em uma daquelas compras malucas que fazemos no Submarino de tempos em tempos. Contando a história de um livreiro, seu amor pela literatura e sua filha adotiva, o livro é uma homenagem aos grandes autores e suas obras publicadas. Serviu-me como estímulo para retomar ao hábito um tanto esquecido. Foi um dos preferidos de 2015 e sempre guardarei com carinho no coração.
No fim, rolou uma participação no Vlog da Morgana, Literalmente Vlogando. Com menos detalhes, algumas gaguejadas e uns cinco quilos mais magro todo o relato está lá. Encerro a crônica com uma frase marcante, obviamente plagiada:

“Nenhum homem é uma Ilha. Cada livro é um mundo”



Eu simplesmente adorei essa história.
João, nunca pensei ser possível ler em uma balada. 


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Envie um e-mail para
 tresleitoras@gmail.com
com o assunto "Hora do Leitor" e nos conte a sua história.


4 comentários :

  1. Nunca mais alguém poderá dar a desculpa de "Não tenho tempo pra ler" kkkkkk

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  2. Hahahaha. Adorei, confesso que nunca li na balada, até pq é raro eu ir à uma. Só que a partir de agora, quando for levo um livro

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  3. Ler na Balada é alo inusitado mesmo kkkk
    Gostei da ideia rs
    Beijos,
    http://www.fabulonica.com/

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  4. HAHAHAHAHAAHAHAHAH adorei! Muito bacana essa iniciativa, porque a galera deve ter olhado e pensado: queeeeeeeeeeeeeeeeeeeeee?????]
    kkkkkkkk muito bacana!

    bjs

    www.generoproibido.blogspot.com.br

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